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Viajante de fraldas

Blog sobre viagens com crianças, actividades, psicologia infantil e muito mais.

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Amesterdão a cidade que nos encantou

09.03.18 | Viajante de fraldas

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Saímos do mundo encantado dos moinhos de Zaanse Schans e fomos para cosmopolita, enérgica, multicultural e apaixonante Amesterdão. Como vos contei no post anterior, o nosso plano inicial era ficarmos por Eindhoven mas resolvemos alterar os planos e por isso ficamos apenas 2 dias completos em Amesterdão.
Sem dúvida 2 dias não são suficientes para aquela cidade, mas aproveitamos cada minuto.
Somos adeptos convictos dos free walking tours e neste caso como tínhamos pouco tempo na cidade começámos o dia com um tour. Existem inúmeras empresas que disponibilizam vários tipos de tours mas nós optámos pelo Classic tour com a empresa freewalkingtoursamsterdam.

Duração: 2h30
Ponto de encontro: Praça Dam

 

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PRAÇA DAM

Construída em 1270 a praça Dam que é uma das praças principais de Amesterdão, lá pudemos ver o Palácio Real, o Monumento Nacional, um obelisco de 22 metros de altura que foi construído em homenagem aos soldados holandeses falecidos na Segunda Guerra Mundial, a igreja NieuwKerk, o Museu de Cera da Madame Tussauds e várias lojas, bares, restaurantes e cafés. Quando lá tivemos estava a decorrer a “Kermis” que é um feira que decorre em Outubro na Praça Dam há 100 anos. A praça fica cheia de carrosséis, barracas com doces e divertimentos, mas foi a última vez que aquela feira se realizou naquele local porque o governo decidiu cancelar este evento na praça, de forma a reduzir a poluição sonora e o tráfego no centro da cidade. Embora para nós a feira tire um pouco do encanto da praça, o Rafael adorou… Qual é a criança que não gosta de luzes, música, doces e carrosséis?

 

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Red Light-district 


Claro que não é o programa ideal para crianças, mas quando falamos de Amesterdão é inevitável não se falar do red light district. O Rafael, como ainda é pequeno, não teve a percepção do que aquele espaço significa, mas se já fosse maiorzinho e já fizesse perguntas, não acho que devêssemos evitar uma passagem por esse local, especialmente durante o dia por ser um período mais calmo, e caso surgissem perguntas… não seria um bicho de 7 cabeças, simplesmente iria responder de acordo com a idade dele.
Na Holanda a prostituição é considerada uma profissão legal, com todos os direitos e deveres iguais a qualquer profissão.
No século XIII Amesterdão tornou-se num porto muito importante e consequentemente circulavam pela cidade muitos marinheiros e piratas o que levou ao aumento da prostituição naquela zona.
O nome Red Light surgiu porque as lojas/bordéis eram iluminados por lampiões de luzes vermelhas.
Ao passear pelas ruelas pudemos ver que algumas são dedicadas a prostituição de mulheres com idade mais avançada, outras com prostitutas com mais formas ou peso, mas não são só mulheres que lá trabalham, também existem algumas montras onde vemos luz azul ao invés da vermelha, nessa pudemos encontrar travestis ou transexuais.
Para além das famosas vitrinas, existem também casas de espectáculos, cabines para assistir filmes, sex shops e até um museu do sexo.
Até me considero liberal e com a mente aberta, mas confesso que ao passear por aquelas ruelas e ao ver aquelas mulheres nas montras, algumas quase seminuas a exibirem-se à procura de “clientes” me fez sentir pena delas, pois embora estejam lá de livre vontade e a trabalhar legalmente, não deixa de ser redutor da dignidade e da condição humana.

 

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Prostituição e a igreja

O bairro é constituído por um conjunto de ruelas estreitas, repletas de vitrinas, agrupadas em torno da Igreja a Oude Kerk.

A igreja nunca aceitou a prostituição, mas em Amesterdão, especialmente a igreja do red light district, criou esquema para “lucrar” com os pecados praticados naquele bairro. Como os pecados eram praticados maioritamente à noite e os padres não estavam disponíveis para ouvir a confissão dos pecadores durante a noite e madrugada eles criaram a possibilidade de confissão pré-pecado, ou seja os pecadores iam à igreja durante o dia e confessavam que iriam pecar mais tarde e a igreja absolvia os futuros pecados em troca de um pagamento… tudo em prol de um lugar no céu…

 

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O Waag 

Quando olhamos para o edifício remete-nos para um cenário do Harry Potter e bem que podia ser, já que esse edifício já teve várias funções.
Foi construído no século XV como portão, Sint Antoniespoort, do muro da cidade, mas quando o muro foi derrubado no seguimento da expansão da cidade, o portão perdeu a função. Foi então convertido numa casa de pesagens do mercado, mas mais tarde com a padronização e criação de novos instrumentos de pesagem, voltou a perder a sua função.
No século XIX, foi usado como um salão de esgrima, uma oficina de móveis, uma oficina para lâmpadas de óleo usadas para iluminação pública, uma estação de bombeiros e como arquivo da cidade.
Com a segunda guerra, foi convertida numa prisão preventiva dos judeus antes de serem enviados para os campos de concentração. Após a guerra ficou abandonado e só nos anos 90 após uma grande restauração foi convertido no que é hoje em dia, um café-restaurante.

 

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VOC – Companhia Holandesa das Índias Orientais

Fundada a 20 de Março de 1602 por  mercadores holandeses com o objectivo de  comércio com países da região do Oceano Índico e do leste asiático.
Os holandeses não queriam ter que passar por Lisboa e Sevilha para adquirir as mercadorias que distribuíam pela Europa, com o objectivo de tentar excluir os competidores europeus daquela importante rota comercial.
Em 1669, a VOC – Companhia Holandesa das Índias Orientais era a mais rica companhia privada do mundo, com mais de 150 navios mercantes, 40 navios de guerra, 50 000 funcionários, um exército privado de 10 000 soldados.
Depois da Quarta Guerra Anglo-Holandesa (1780-1784), a VOC – Companhia Holandesa das Índias Orientais começou a ter problemas financeiros e foi liquidada em 1799. No Congresso de Viena, em 1815, as Índias Orientais Holandesas foram oficialmente transferidas para a coroa holandesa.

 

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Begijnhof, o Jardim das Beguinas

Conjunto de casas que serviam de moradia para as beguinas, uma espécie de freiras, mas sem terem feito os votos religiosos, que se dedicavam a trabalhos de caridade.
Mas o mais interessante é que este lugar parece secreto e pode escapar ao olhar dos turistas mais distraídos, pois para lá entrar tem que se usar uma porta comum de um edifício.
Ao passar por essa porta vai encontrar um espaço onde a paz e a tranquilidade imperam, numa cidade como Amesterdão em que o movimento é constante parece impossível existir um lugar assim mesmo no meio da cidade. Lá poderá visitar a igreja Engelse Kerk e a Capela Escondida, que foi criada numa casa comum a quando a perseguição aos católicos, a envolver o jardim, existem várias casas, algumas do começo do século XVI, e uma delas ainda preserva a fachada de madeira, sendo umas das duas casas com essa característica existentes em Amesterdão, uma vez que esse tipo de casas foram proibidas a partir de 1521.

 

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Os canais

De 1585 a 1685 a população de Amesterdão aumentou de 30 mil pessoas para 200 mil. O que levou a um replaneamento da cidade e assim surgiram os 165 canais. Em 2010, A UNESCO atribuiu o título de património cultural a rede de canais e a área ao redor dos canais.
Sem dúvida Amesterdão não seria a mesma sem os seus canais, e a melhor forma de aproveitar os canais de Amesterdão é pelas águas, infelizmente não tivemos tempo para fazer, mas numa próxima vez não nos irá escapar.

 

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Amesterdão e os edifícios 

A cidade é fascinante a vários níveis, um deles é a sua arquitectura. Ao percorrer as ruas da cidade fomos reparando em várias particularidades dos edifícios. Ao fazermos o tour, obtivemos resposta às nossas dúvidas.

 

  •  Prédios tortos

O nível do solo da Holanda encontra-se a baixo do nvel do mar, o que provoca uma instabilidade e para aguentar tamanha movimentação das terras, os edificios eram construídos com as estacas e pilares de madeira que serviam para estabilizar o edifício mas também para aguentar a movimentação dos solos. Mas esse tipo de construção requeria um trabalho muito minucioso e complexo e nem sempre era feito da forma mais adequada o que originou que vários prédios ao longo dos anos se movessem.

 

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  • Prédios estreitos

Devido ao aumento populacional e a falta de espaço para construção o governo começou a cobrar impostos com base na largura da fachada das casas. A partir dessa altura os holandeses, passaram a construir casas estreitas mas com vários andares de forma a compensar a pouca largura das divisões, procurando pagar o mínimo imposto possível.

 

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  • Prédios com guinchos e inclinados para a frente

Devido às dimensões dos prédios, tanto as portas como as escadas tinham que ser muito estreitas, logo não seria possível fazer passar através delas móveis ou objectos de maiores dimensões, por isso os holandeses criaram um sistema inteligente para içar os objectos.
Instalaram no topo dos prédios um sistema de guincho e construiram os prédios com um inclinação para frente de forma que ao içar os objectos os mesmos não batessem na fachada e nas janelas.

 

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  • Janelas grandes

No seguimento do sistema de guincho os objectos tinham que entrar pelas janelas, nesse sentido as casas eram construídas com janelas muito amplas de forma permitir facilmente a entrada de objectos.

 

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Amesterdão e as bicicletas

O facto da cidade ser plana ajuda muito, mas as bicicletas são sem dúvida o meio de transporte de eleição dos holandeses, faça sol, chuva ou neve eles andam sempre de bicicleta. Existem parques de estacionamento para bicicletas em todos os cantos da cidade e ciclovias que percorrem toda a cidade. Novas, velhas com aspecto mais retro, com acessórios, costumizadas é surpreendente a quantidade de bicicletas. Para os turistas mais distraídos… nunca andem pelas ciclovias e estejam atentos porque quanto menos esperam uma bicicleta vai aparecer e é muito comum os turistas serem atropelados por uma.

 

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Quando se viaja com um bebé tudo tem que ser feito com mais calma, e dois dias não são suficientes naquela cidade, logo ficou muito por ver e por fazer, mas não tem importância, assim ficamos com um pretexto para voltar.

Boa viagem!

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